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Ciência e evidência

Teleprática em fonoaudiologia: o que a ciência tem mostrado

3 min de leitura

Uma mãe escreve no fim da tarde: mora longe, o trânsito é impossível e ela pergunta, meio sem jeito, se a sessão do filho poderia ser on-line "só dessa vez". Muitos fonoaudiólogos conhecem essa cena. E, junto com ela, vem a dúvida honesta: a terapia à distância funciona tão bem quanto a presencial? Em vez de responder pelo achismo, vale olhar para o que a pesquisa vem acumulando.

O que o estudo investigou

Uma revisão sistemática com metanálise publicada no Journal of Telemedicine and Telecare (2024) reuniu ensaios clínicos randomizados que compararam, de forma direta, o mesmo cuidado fonoaudiológico entregue por telessaúde (vídeo ou telefone) e presencialmente. Ao todo, os autores incluíram nove ensaios randomizados — oito por vídeo e um por telefone — abrangendo diferentes áreas da fonoaudiologia, como gagueira e voz em pessoas com doença de Parkinson.

A pergunta central era simples e importante: quando a intervenção é a mesma, a via de entrega (tela ou sala) muda o resultado clínico? Trabalhar apenas com estudos randomizados é o que permite comparar as duas modalidades de forma mais justa, reduzindo o peso de outras diferenças entre os grupos.

O que a evidência mostra

Segundo a revisão, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre teleprática e atendimento presencial em desfechos como a porcentagem de sílabas gaguejadas, em pessoas que gaguejam, e a variação de nível de pressão sonora, em pessoas com doença de Parkinson. Em outras palavras, nos estudos analisados, a modalidade on-line acompanhou os resultados da presencial nos desfechos avaliados.

É um sinal encorajador — mas que pede leitura cuidadosa. Os próprios autores apontam limitações: o número de ensaios ainda é pequeno, as populações são específicas e nem toda área da fonoaudiologia foi contemplada. "Não encontrar diferença" também não é o mesmo que "provar equivalência" para todos os casos e diagnósticos. A teleprática aparece como uma opção com respaldo crescente, e não como substituta automática do presencial em qualquer situação. A decisão sobre quando ela é adequada segue sendo clínica, individual e do profissional habilitado — dentro do que o Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa) regulamenta.

Na prática

Se a teleprática entra no seu leque de possibilidades, o que faz diferença é a organização em torno dela. No Florescer Hub, o teleatendimento acontece dentro da própria plataforma: a sala de vídeo abre a partir da agenda, sem o paciente precisar instalar nada complicado, e você pode enviar o link de acesso com antecedência. Isso reduz o atrito que costuma atrapalhar sessões remotas.

Ao redor da sala, o resto do cuidado continua no mesmo lugar. A agenda envia lembretes e permite confirmação de presença, o que ajuda a manter a regularidade que a terapia exige. Cada sessão, presencial ou on-line, pode virar uma evolução no prontuário cifrado, datada e sem exclusão de histórico. E as orientações e os exercícios combinados podem ser entregues como documento pelo portal do paciente — útil justamente quando a família assume parte da prática em casa entre uma sessão e outra.

Nada disso promete resultado; o que a plataforma oferece é estrutura para que a decisão clínica que você tomar seja executada com organização e segurança.

Fontes

  • Scott A. M., Clark J., Cardona M., Atkins T., Peiris R., Greenwood H., Wenke R., Cardell E., Glasziou P. Telehealth versus face-to-face delivery of speech language pathology services: A systematic review and meta-analysis. Journal of Telemedicine and Telecare, 2024. link

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