Comparecer e engajar: o que a evidência diz sobre presença na terapia fono
Você monta um bom plano, escolhe os alvos, prepara os materiais — e, na quinta-feira, a cadeira fica vazia. De novo. A falta e a baixa adesão são frustrações silenciosas de quase todo consultório de fonoaudiologia, e mexem direto com o resultado do tratamento. Antes de atribuir tudo a "desinteresse", vale entender o que a pesquisa vem descobrindo sobre quem comparece, quem falta e por quê.
O que o estudo investigou
Um estudo publicado no International Journal of Language & Communication Disorders (2024) investigou as taxas e os fatores associados ao envolvimento dos pais na terapia fonoaudiológica de crianças com menos de 5 anos. Participaram 199 responsáveis, em sua maioria mães, que responderam questionários em dois momentos, sobre suas crenças a respeito das necessidades do filho, suas circunstâncias pessoais e sua experiência com o tratamento.
Os autores separaram duas coisas que costumam ser confundidas: comparecer (turning up, aparecer na sessão) e engajar (tuning in, seguir de fato as orientações combinadas). São dimensões diferentes da adesão, e entender cada uma abre caminhos distintos de ação para o profissional.
O que a evidência mostra
Segundo o estudo, a taxa de não comparecimento foi de cerca de 25%, e a de não adesão às recomendações, de cerca de 26%. Mais interessante do que os números foram os preditores: a idade e a escolaridade materna ajudaram a explicar o comparecimento, enquanto a percepção dos pais sobre a importância da recomendação e a crença na própria capacidade de realizá-la (autoeficácia) foram os fatores mais associados à adesão.
Em outras palavras, a revisão sugere que faltar e não aderir nem sempre são sinal de descaso. Muitas vezes têm a ver com circunstâncias de vida e, sobretudo, com o quanto a família entende por que aquilo importa e se sente capaz de fazer. Os autores concluem que os profissionais poderiam considerar e explorar a perspectiva dos pais como parte de construir uma colaboração de verdade. Vale a cautela de sempre: é um estudo com um grupo específico, e seus achados descrevem associações, não uma fórmula. Como conduzir cada família segue sendo decisão clínica individual do fonoaudiólogo.
Na prática
Se comparecer e engajar são coisas distintas, a organização do consultório pode cuidar das duas. Para o comparecimento, a agenda do Florescer Hub envia lembretes e permite confirmação de presença — um empurrão simples que reduz o esquecimento e a bagunça de horário que costumam derrubar a frequência. Você chega na semana sabendo quem vem.
Para o engajamento, o ponto é clareza e sentido. Pelo portal do paciente, as orientações e os exercícios combinados podem ser entregues como documento: a família consulta no celular o que foi proposto e por que, o que fortalece justamente aquela percepção de importância e de "eu consigo fazer" que o estudo associou à adesão. E, com a evolução registrada no prontuário cifrado a cada sessão, fica possível mostrar o progresso à família — ver o quanto se avançou costuma ser o que sustenta alguém num tratamento longo.
A plataforma não garante presença nem adesão; ela oferece estrutura para lembrar, orientar e mostrar resultado, apoiando a relação de colaboração que o estudo aponta como caminho.
Fontes
- Williams P., Slonims V., Weinman J. "Turning up and tuning in". Factors associated with parental non-attendance and non-adherence in intervention for young children with speech, language communication needs. International Journal of Language & Communication Disorders, 2024. link
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